




Já nem sei há quanto tempo não teclo alguma coisa por aqui....
Considerando que o blogue foi criado para eu ir dando notícias, é uma vergonha. Mas bem, tentarei ser um escritor mais assíduo a partir de agora.
O último mês e tal consistiu basicamente de bastante estudo e trabalho (estou a tirar um curso de professor de inglês para estrangeiros), alguma exploração de Sydney e redondezas, copos com pessoal de todo o mundo e basicamente muita satisfação por aqui estar.
Claro que quanto mais tempo cá passamos, mais nos apercebemos das virtudes e defeitos do sítio.
A natureza e as praias são as mais lindas do mundo, pelo menos do mundo que já vi. Sydney é uma cidade super cosmopolita com mais variedade de etnias e culturas do que quase todos os lugares na Europa (com a excepção de que há mesmo muito poucos africanos) e com arredores incríveis - montanhas, praias, pântanos, lagos, um pouco de tudo. Podemos comer comida de qualquer parte do mundo com facilidade (inclusive portuguesa, e sim, os frangos aqui também são muito bons - até o chouriço não é nada mau), tem grande vida noturna, cultura, música, concertos....
Mas não é tudo perfeito, nem nada que se pareça - ainda bem que não viemos para cá à espera de perfeição.
A primeira coisa que parece dividir as pessoas são os próprios anglo-saxónicos. Para os europeus em geral, o estereótipo do povo frio e sem sentimentos são os alemães - normalmente por causa das duas guerras e porque fazem máquinas muito eficazes ( e na cabeça das pessoas, quem faz máquinas eficazes tem também de ser um pouco "maquinal"). Mas logo a seguir estão os anglo-saxónicos.
Quem mais se queixa deles por estes lados são os espanhóis e italianos, logo seguidos dos brasileiros. De acordo com eles, os australianos, tal como os ingleses, não têm sentimentos, não têm alma, são uma espécie de robots... A prova desta afirmação está no facto de não darem o beijinho do costume para se cumprimentar, de não levarem as crianças para restaurantes à noite, não dizerem adeus com um abraço caloroso e basicamente terem muito cuidado quando se trata de falar dos sentimentos deles ou dos outros.
Isto já me custou muito, quando estava nos estados unidos e não sabia o que esperar. Agora, já não me custa grande coisa, e tenho vindo a pensar que não somos mesmo assim tão diferentes. Claro que ainda acho um pouco estranho que ninguém me venha apertar a mão quando me dizem adeus, mas o que é que isso acaba por interessar? Se alguém me abraça muito ou não pode ser relevante, mas também pode ser muito hipócrita, especialmente se nunca mais nos virmos ou se não somos grandes amigos. Os latinos são calorosos, mas às vezes dão tantos abraços e beijinhos que eles perdem completamente o significado - se dás um beijinho aos teus amigos e aos teus conhecidos, o que é que acaba por distinguir uns dos outros? A mesma coisa que distingue uns dos outros aqui entre os anglo-saxónicos, por isso os abraços e beijos perdem toda a relevância...
A outra coisa é o falar dos sentimentos - aí, penso que eles têm de facto algo a aprender connosco, porque guardam muita coisa e às vezes pedem desculpa por dizer o que pensam. No entanto, mandam muitos sentimentos cá para fora de outras formas, que me agradam deveras. Todas as noites nos pubs há cantoria, cervejas erguidas e sorrisos trocados entre todos à medida que entoam os cânticos - isso é uma forma de sentir, e de mandar muito cá para fora. E aqui, pouco ou nada andam à pancada, acaba sempre tudo na boa onda...
Quanto à questão das crianças. são um povo que gosta muito de passear com a miudagem de dia, levam-nos a todo o lado e não têm aquele pavor tuga que o miúdo caia ao chão ou ande a chafurdar onde não deve - deixam os putos experimentar sem excesso de zelo. E depois à noite, os putos ficam em casa ou com a babysitter e eles vão viver um bocadinho eles, sem estarem sempre preocupados com as crias. Isto não me parece pouco caloroso, parece-me caloroso o suficiente e muito, muito inteligente...
A última queixa que também ouvi foi que as mulheres australianas tendem a ir-se embora muito rápido depois de mandarem umas trancas... ???? Então isso não era o sonho do macho latino? Comê-la e seguir para outra? Afinal parece que não - acho que o macho latino precisava era de um abracinho depois do one night stand, talvez para ter um bocadinho da mamã depois da tranca... Estranhos seres que somos... De qualquer forma, também me parece honesto da parte delas que não fiquem para o spooning - afinal, uma relação pode e deve crescer e desenvolver-se um bocado antes de haver spooning...
No entanto, explicar isto a espanhóis ou italianos que caíram aqui de "pára-quedas" à espera que os australianos fossem os únicos anglo-saxónicos diferentes (se calhar porque aqui está quente) é um pouco difícil, se não mesmo impossível. Sentem muito a falta das manifestações de calor de casa, e como não as vêem aqui, esquecem-se que o calor existe, mas sobre outras formas... Nós, temos passado um bocado de tempo com australianos e a outra metade com os latinos - assim, há uma sensação de equilíbrio e tenho um bocado do que gosto dos dois mundos!
E outra coisa que me sabe a mim muito bem: as pessoas aqui vêem uma piada nas coisas que por aí só uma minoria vê - Domingo passado fizemos uma sessão de jolas e festival eurovisão, e foi demais!
Bem, vou parar por aqui para isto não ficar ridiculamente grande. Escreverei mais da próxima.
Como sempre, muitos abraços, beijos (como bom latino que sou) e muitas saudades para os amigos! Saudades de Portugal, até agora, absolutamente nenhumas!
p.s: vi o post do Miguel, e devo dizer que o Benfica é de facto um clube enorme! Parabéns por vencerem o campeonato de juvenis!!
p.s2: fotos - seven mile beach, foxbats nas árvores, um bocadinho do "paredão" de cá