domingo, 22 de maio de 2011

Anglo-saxónicos vs. latinos






Esqueci-me do título no post debaixo - fica neste e ficam mais umas pics - Lowenbrau Keller, bar Oktoberfest - bebe-se cerveja igualzinha à alemã e o ambiente é mesmo muito, muito parecido; Red Oak Brewery (para cerveja austrliana de qualidade); kurin-gai national park a 15 kilometros do centro (deve ter umas 30 vezes a área da serra de Sintra); Bronte Beach





Já nem sei há quanto tempo não teclo alguma coisa por aqui....

Considerando que o blogue foi criado para eu ir dando notícias, é uma vergonha. Mas bem, tentarei ser um escritor mais assíduo a partir de agora.

O último mês e tal consistiu basicamente de bastante estudo e trabalho (estou a tirar um curso de professor de inglês para estrangeiros), alguma exploração de Sydney e redondezas, copos com pessoal de todo o mundo e basicamente muita satisfação por aqui estar.

Claro que quanto mais tempo cá passamos, mais nos apercebemos das virtudes e defeitos do sítio.

A natureza e as praias são as mais lindas do mundo, pelo menos do mundo que já vi. Sydney é uma cidade super cosmopolita com mais variedade de etnias e culturas do que quase todos os lugares na Europa (com a excepção de que há mesmo muito poucos africanos) e com arredores incríveis - montanhas, praias, pântanos, lagos, um pouco de tudo. Podemos comer comida de qualquer parte do mundo com facilidade (inclusive portuguesa, e sim, os frangos aqui também são muito bons - até o chouriço não é nada mau), tem grande vida noturna, cultura, música, concertos....

Mas não é tudo perfeito, nem nada que se pareça - ainda bem que não viemos para cá à espera de perfeição.

A primeira coisa que parece dividir as pessoas são os próprios anglo-saxónicos. Para os europeus em geral, o estereótipo do povo frio e sem sentimentos são os alemães - normalmente por causa das duas guerras e porque fazem máquinas muito eficazes ( e na cabeça das pessoas, quem faz máquinas eficazes tem também de ser um pouco "maquinal"). Mas logo a seguir estão os anglo-saxónicos.

Quem mais se queixa deles por estes lados são os espanhóis e italianos, logo seguidos dos brasileiros. De acordo com eles, os australianos, tal como os ingleses, não têm sentimentos, não têm alma, são uma espécie de robots... A prova desta afirmação está no facto de não darem o beijinho do costume para se cumprimentar, de não levarem as crianças para restaurantes à noite, não dizerem adeus com um abraço caloroso e basicamente terem muito cuidado quando se trata de falar dos sentimentos deles ou dos outros.

Isto já me custou muito, quando estava nos estados unidos e não sabia o que esperar. Agora, já não me custa grande coisa, e tenho vindo a pensar que não somos mesmo assim tão diferentes. Claro que ainda acho um pouco estranho que ninguém me venha apertar a mão quando me dizem adeus, mas o que é que isso acaba por interessar? Se alguém me abraça muito ou não pode ser relevante, mas também pode ser muito hipócrita, especialmente se nunca mais nos virmos ou se não somos grandes amigos. Os latinos são calorosos, mas às vezes dão tantos abraços e beijinhos que eles perdem completamente o significado - se dás um beijinho aos teus amigos e aos teus conhecidos, o que é que acaba por distinguir uns dos outros? A mesma coisa que distingue uns dos outros aqui entre os anglo-saxónicos, por isso os abraços e beijos perdem toda a relevância...

A outra coisa é o falar dos sentimentos - aí, penso que eles têm de facto algo a aprender connosco, porque guardam muita coisa e às vezes pedem desculpa por dizer o que pensam. No entanto, mandam muitos sentimentos cá para fora de outras formas, que me agradam deveras. Todas as noites nos pubs há cantoria, cervejas erguidas e sorrisos trocados entre todos à medida que entoam os cânticos - isso é uma forma de sentir, e de mandar muito cá para fora. E aqui, pouco ou nada andam à pancada, acaba sempre tudo na boa onda...

Quanto à questão das crianças. são um povo que gosta muito de passear com a miudagem de dia, levam-nos a todo o lado e não têm aquele pavor tuga que o miúdo caia ao chão ou ande a chafurdar onde não deve - deixam os putos experimentar sem excesso de zelo. E depois à noite, os putos ficam em casa ou com a babysitter e eles vão viver um bocadinho eles, sem estarem sempre preocupados com as crias. Isto não me parece pouco caloroso, parece-me caloroso o suficiente e muito, muito inteligente...

A última queixa que também ouvi foi que as mulheres australianas tendem a ir-se embora muito rápido depois de mandarem umas trancas... ???? Então isso não era o sonho do macho latino? Comê-la e seguir para outra? Afinal parece que não - acho que o macho latino precisava era de um abracinho depois do one night stand, talvez para ter um bocadinho da mamã depois da tranca... Estranhos seres que somos... De qualquer forma, também me parece honesto da parte delas que não fiquem para o spooning - afinal, uma relação pode e deve crescer e desenvolver-se um bocado antes de haver spooning...

No entanto, explicar isto a espanhóis ou italianos que caíram aqui de "pára-quedas" à espera que os australianos fossem os únicos anglo-saxónicos diferentes (se calhar porque aqui está quente) é um pouco difícil, se não mesmo impossível. Sentem muito a falta das manifestações de calor de casa, e como não as vêem aqui, esquecem-se que o calor existe, mas sobre outras formas... Nós, temos passado um bocado de tempo com australianos e a outra metade com os latinos - assim, há uma sensação de equilíbrio e tenho um bocado do que gosto dos dois mundos!

E outra coisa que me sabe a mim muito bem: as pessoas aqui vêem uma piada nas coisas que por aí só uma minoria vê - Domingo passado fizemos uma sessão de jolas e festival eurovisão, e foi demais!

Bem, vou parar por aqui para isto não ficar ridiculamente grande. Escreverei mais da próxima.

Como sempre, muitos abraços, beijos (como bom latino que sou) e muitas saudades para os amigos! Saudades de Portugal, até agora, absolutamente nenhumas!



p.s: vi o post do Miguel, e devo dizer que o Benfica é de facto um clube enorme! Parabéns por vencerem o campeonato de juvenis!!

p.s2: fotos - seven mile beach, foxbats nas árvores, um bocadinho do "paredão" de cá

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Belo do toque

Envia lá o toque. e começa a pensar na aposta do ano que vem, temos de subir a parada. Talvez os nossos amigos lagartos tb queiram entrar.

sexta-feira, 25 de março de 2011

espero que o dias ferreira ganhe

as eleições estão ao rubro...no SCP.... eu voto no dias ferreira, ou melhor no futre...


eis o porquê.

e mais este



agora é que vão ser elas, imaginem as flash interviews a seguir a um derby... PADRADA vs vai vir xarteres de 400 ou 500 pessoas........

sexta-feira, 18 de março de 2011

Back to School...






Voltar à escola depois de alguns anos só a trabalhar é como começar a trabalhar depois de alguns anos só a estudar. Estranho, mas bom. Dá um entusiasmo diferente, porque é algo novo e familiar ao mesmo tempo.

Temos aulas à tarde, por isso já saímos às oito e meia, bem depois do jantar de cá, que é às seis (!), mas dá para ir directamente para a noite, com os bares já repletos de australianos bem bebidos. Conhecemos uma série de estrangeirada, na sua maioria italianos, mas pessoal muito boa onda. Quando quiser fazer má figura, já posso ir surfar com eles, e é pessoal que está sempre pronto para dar uma saidinha.

Temos explorado a cidade o melhor possível. É gigante e mesmo muito variada. Numa viajem de barco de 20 minutos pelo estuário chegamos a sítios completamente diferentes, como parques naturais e falésias do género do cabo da roca.

Podemos comer qualquer comida de qualquer parte do mundo, é só sabermos encontrar o bairro certo (ainda não tive saudades da comida portuguesa, por isso ainda não fomos ao bairro tuga).

O tempo à noite está sempre quente e há umas três semans que não visto mais do que uma t-shirt ou wifebeater. A semana passada já tive a coragem de levar a wifebeater para a praia e senti-me muito bem! As praias são um espectáculo e há dezenas de kilómetros delas, mais próximas do que a costa fica de Lisboa.

Com tanta coisa para descobrir, o mais estranho é mesmo que os estrangeiros que já estão aqui há dezenas de anos e os locais parecem ter visto menos da cidade e do país do que nós! Não aproveitam aquilo que têm e não se apercebem do imenso potencial do país. Os australianos numa coisa são muito similares aos portugueses - queixam-se imenso e desdenham aquilo que têm, mas não olham bem à volta (o oposto também é verdade, há tugas e australianos que pensam que o seu país é o melhor do mundo mas nunca viram mais nada e pensam que ver o travel channel lhes diz alguma coisa a respeito do que é realmente viver num país. Não diz.)... Não admira que a Austrália seja uma espécie de tesouro escondido, ou pelo menos pouco conhecido.

De resto, no tempo que não estamos a estudar ou a explorar, temos continuado a organizar-nos. Falta-nos trabalho, que será fácil de encontrar se não formos esquisitos, e pagará bem, mas mais difícil se quisermos algo mais específico (o meu caso, por exemplo). A casa parece estar toda em ordem, depois de arranjarmos um esquentador, uns azulejos e a linha telefónica (que era do século passado, continuo sem net decente, só a merda de um kanguru que supostamente é 3G mas parece mais da época dos dial up modems). A Asti vem para casa amanhã, os 30 dias de quarentena acabaram.

Mas tem sido fantástico. Acho que nos sentimos melhor agora do que nos últimos dois anos (que foi mais ao menos quando comecei a pensar que tinha de ir dar uma volta outra vez). Nada como uma mudançazinha para animar a alma. Ontem até estive num bar brazuca a ouvir música sertaneja (eu digo que é forró, mas eles dizem que é diferente) e curti. Umas fotos para acompanhar (de cima para baixo: chegada da playstation, no ferry para watson bay, vistas de watson bay e a última é de botany bay, onde o Captain Cook atracou contra a vontade dos aborígenes). Mais escrita em breve e hoje também não estou a ouvir xutos. Há saudade daí, mas é mesmo só das pessoas:) Bom sinal:)