domingo, 22 de maio de 2011

Anglo-saxónicos vs. latinos






Esqueci-me do título no post debaixo - fica neste e ficam mais umas pics - Lowenbrau Keller, bar Oktoberfest - bebe-se cerveja igualzinha à alemã e o ambiente é mesmo muito, muito parecido; Red Oak Brewery (para cerveja austrliana de qualidade); kurin-gai national park a 15 kilometros do centro (deve ter umas 30 vezes a área da serra de Sintra); Bronte Beach





Já nem sei há quanto tempo não teclo alguma coisa por aqui....

Considerando que o blogue foi criado para eu ir dando notícias, é uma vergonha. Mas bem, tentarei ser um escritor mais assíduo a partir de agora.

O último mês e tal consistiu basicamente de bastante estudo e trabalho (estou a tirar um curso de professor de inglês para estrangeiros), alguma exploração de Sydney e redondezas, copos com pessoal de todo o mundo e basicamente muita satisfação por aqui estar.

Claro que quanto mais tempo cá passamos, mais nos apercebemos das virtudes e defeitos do sítio.

A natureza e as praias são as mais lindas do mundo, pelo menos do mundo que já vi. Sydney é uma cidade super cosmopolita com mais variedade de etnias e culturas do que quase todos os lugares na Europa (com a excepção de que há mesmo muito poucos africanos) e com arredores incríveis - montanhas, praias, pântanos, lagos, um pouco de tudo. Podemos comer comida de qualquer parte do mundo com facilidade (inclusive portuguesa, e sim, os frangos aqui também são muito bons - até o chouriço não é nada mau), tem grande vida noturna, cultura, música, concertos....

Mas não é tudo perfeito, nem nada que se pareça - ainda bem que não viemos para cá à espera de perfeição.

A primeira coisa que parece dividir as pessoas são os próprios anglo-saxónicos. Para os europeus em geral, o estereótipo do povo frio e sem sentimentos são os alemães - normalmente por causa das duas guerras e porque fazem máquinas muito eficazes ( e na cabeça das pessoas, quem faz máquinas eficazes tem também de ser um pouco "maquinal"). Mas logo a seguir estão os anglo-saxónicos.

Quem mais se queixa deles por estes lados são os espanhóis e italianos, logo seguidos dos brasileiros. De acordo com eles, os australianos, tal como os ingleses, não têm sentimentos, não têm alma, são uma espécie de robots... A prova desta afirmação está no facto de não darem o beijinho do costume para se cumprimentar, de não levarem as crianças para restaurantes à noite, não dizerem adeus com um abraço caloroso e basicamente terem muito cuidado quando se trata de falar dos sentimentos deles ou dos outros.

Isto já me custou muito, quando estava nos estados unidos e não sabia o que esperar. Agora, já não me custa grande coisa, e tenho vindo a pensar que não somos mesmo assim tão diferentes. Claro que ainda acho um pouco estranho que ninguém me venha apertar a mão quando me dizem adeus, mas o que é que isso acaba por interessar? Se alguém me abraça muito ou não pode ser relevante, mas também pode ser muito hipócrita, especialmente se nunca mais nos virmos ou se não somos grandes amigos. Os latinos são calorosos, mas às vezes dão tantos abraços e beijinhos que eles perdem completamente o significado - se dás um beijinho aos teus amigos e aos teus conhecidos, o que é que acaba por distinguir uns dos outros? A mesma coisa que distingue uns dos outros aqui entre os anglo-saxónicos, por isso os abraços e beijos perdem toda a relevância...

A outra coisa é o falar dos sentimentos - aí, penso que eles têm de facto algo a aprender connosco, porque guardam muita coisa e às vezes pedem desculpa por dizer o que pensam. No entanto, mandam muitos sentimentos cá para fora de outras formas, que me agradam deveras. Todas as noites nos pubs há cantoria, cervejas erguidas e sorrisos trocados entre todos à medida que entoam os cânticos - isso é uma forma de sentir, e de mandar muito cá para fora. E aqui, pouco ou nada andam à pancada, acaba sempre tudo na boa onda...

Quanto à questão das crianças. são um povo que gosta muito de passear com a miudagem de dia, levam-nos a todo o lado e não têm aquele pavor tuga que o miúdo caia ao chão ou ande a chafurdar onde não deve - deixam os putos experimentar sem excesso de zelo. E depois à noite, os putos ficam em casa ou com a babysitter e eles vão viver um bocadinho eles, sem estarem sempre preocupados com as crias. Isto não me parece pouco caloroso, parece-me caloroso o suficiente e muito, muito inteligente...

A última queixa que também ouvi foi que as mulheres australianas tendem a ir-se embora muito rápido depois de mandarem umas trancas... ???? Então isso não era o sonho do macho latino? Comê-la e seguir para outra? Afinal parece que não - acho que o macho latino precisava era de um abracinho depois do one night stand, talvez para ter um bocadinho da mamã depois da tranca... Estranhos seres que somos... De qualquer forma, também me parece honesto da parte delas que não fiquem para o spooning - afinal, uma relação pode e deve crescer e desenvolver-se um bocado antes de haver spooning...

No entanto, explicar isto a espanhóis ou italianos que caíram aqui de "pára-quedas" à espera que os australianos fossem os únicos anglo-saxónicos diferentes (se calhar porque aqui está quente) é um pouco difícil, se não mesmo impossível. Sentem muito a falta das manifestações de calor de casa, e como não as vêem aqui, esquecem-se que o calor existe, mas sobre outras formas... Nós, temos passado um bocado de tempo com australianos e a outra metade com os latinos - assim, há uma sensação de equilíbrio e tenho um bocado do que gosto dos dois mundos!

E outra coisa que me sabe a mim muito bem: as pessoas aqui vêem uma piada nas coisas que por aí só uma minoria vê - Domingo passado fizemos uma sessão de jolas e festival eurovisão, e foi demais!

Bem, vou parar por aqui para isto não ficar ridiculamente grande. Escreverei mais da próxima.

Como sempre, muitos abraços, beijos (como bom latino que sou) e muitas saudades para os amigos! Saudades de Portugal, até agora, absolutamente nenhumas!



p.s: vi o post do Miguel, e devo dizer que o Benfica é de facto um clube enorme! Parabéns por vencerem o campeonato de juvenis!!

p.s2: fotos - seven mile beach, foxbats nas árvores, um bocadinho do "paredão" de cá

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Belo do toque

Envia lá o toque. e começa a pensar na aposta do ano que vem, temos de subir a parada. Talvez os nossos amigos lagartos tb queiram entrar.

sexta-feira, 25 de março de 2011

espero que o dias ferreira ganhe

as eleições estão ao rubro...no SCP.... eu voto no dias ferreira, ou melhor no futre...


eis o porquê.

e mais este



agora é que vão ser elas, imaginem as flash interviews a seguir a um derby... PADRADA vs vai vir xarteres de 400 ou 500 pessoas........

sexta-feira, 18 de março de 2011

Back to School...






Voltar à escola depois de alguns anos só a trabalhar é como começar a trabalhar depois de alguns anos só a estudar. Estranho, mas bom. Dá um entusiasmo diferente, porque é algo novo e familiar ao mesmo tempo.

Temos aulas à tarde, por isso já saímos às oito e meia, bem depois do jantar de cá, que é às seis (!), mas dá para ir directamente para a noite, com os bares já repletos de australianos bem bebidos. Conhecemos uma série de estrangeirada, na sua maioria italianos, mas pessoal muito boa onda. Quando quiser fazer má figura, já posso ir surfar com eles, e é pessoal que está sempre pronto para dar uma saidinha.

Temos explorado a cidade o melhor possível. É gigante e mesmo muito variada. Numa viajem de barco de 20 minutos pelo estuário chegamos a sítios completamente diferentes, como parques naturais e falésias do género do cabo da roca.

Podemos comer qualquer comida de qualquer parte do mundo, é só sabermos encontrar o bairro certo (ainda não tive saudades da comida portuguesa, por isso ainda não fomos ao bairro tuga).

O tempo à noite está sempre quente e há umas três semans que não visto mais do que uma t-shirt ou wifebeater. A semana passada já tive a coragem de levar a wifebeater para a praia e senti-me muito bem! As praias são um espectáculo e há dezenas de kilómetros delas, mais próximas do que a costa fica de Lisboa.

Com tanta coisa para descobrir, o mais estranho é mesmo que os estrangeiros que já estão aqui há dezenas de anos e os locais parecem ter visto menos da cidade e do país do que nós! Não aproveitam aquilo que têm e não se apercebem do imenso potencial do país. Os australianos numa coisa são muito similares aos portugueses - queixam-se imenso e desdenham aquilo que têm, mas não olham bem à volta (o oposto também é verdade, há tugas e australianos que pensam que o seu país é o melhor do mundo mas nunca viram mais nada e pensam que ver o travel channel lhes diz alguma coisa a respeito do que é realmente viver num país. Não diz.)... Não admira que a Austrália seja uma espécie de tesouro escondido, ou pelo menos pouco conhecido.

De resto, no tempo que não estamos a estudar ou a explorar, temos continuado a organizar-nos. Falta-nos trabalho, que será fácil de encontrar se não formos esquisitos, e pagará bem, mas mais difícil se quisermos algo mais específico (o meu caso, por exemplo). A casa parece estar toda em ordem, depois de arranjarmos um esquentador, uns azulejos e a linha telefónica (que era do século passado, continuo sem net decente, só a merda de um kanguru que supostamente é 3G mas parece mais da época dos dial up modems). A Asti vem para casa amanhã, os 30 dias de quarentena acabaram.

Mas tem sido fantástico. Acho que nos sentimos melhor agora do que nos últimos dois anos (que foi mais ao menos quando comecei a pensar que tinha de ir dar uma volta outra vez). Nada como uma mudançazinha para animar a alma. Ontem até estive num bar brazuca a ouvir música sertaneja (eu digo que é forró, mas eles dizem que é diferente) e curti. Umas fotos para acompanhar (de cima para baixo: chegada da playstation, no ferry para watson bay, vistas de watson bay e a última é de botany bay, onde o Captain Cook atracou contra a vontade dos aborígenes). Mais escrita em breve e hoje também não estou a ouvir xutos. Há saudade daí, mas é mesmo só das pessoas:) Bom sinal:)

domingo, 6 de março de 2011

E mais umas fotos...




A praia :) e La Machina El Jackaroo

Fotos Para Acompanhar o Novo Texto






Cá vão umas fotos para acompanhar. De baixo para cima: a sala na casa nova pré-montagem de móveis, a casa de banho, os Maiden, Soundwave e eu a limpar! De Wifebeater! Recomendo, é muito confortável e aqui toda a gente usa...

sábado, 5 de março de 2011

O Bom, o Mau e as Baratas...

Uma semana e meia depois, e já temos uma casa mobilada, um carro, já vimos Iron Maiden 2 vezes e já cometemos serial killing de baratas e genocídio de formigas.... Passo a explicar.

Na Sexta-Feira da semana em que escrevi o último texto do blog, passámos um dia inteiro num "centro comercial" de carros em segunda mão, sob o calor abrasador, e devemos ter enlouquecido momentaneamente porque saímos de lá com um jipe...! É um Holden (a mesma coisa que a Opel, mas de cá) Jackaroo Monterey.

Tem 4x4 e uma grade à frente para atar cangurus, crocodilos, emus e outro tipo de caça e de 1 a 10 na escala redneck já deve ser um 6 ou 7, mas a verdade é que gostámos mesmo do carro e como não o vamos usar para transitar todos os dias, senão era uma fortuna em gasosa, é o transporte idela para meter uma prancha de surf e ir à praia (e deixar a prancha no carro, porque as ondas aqui metem medo...) ou dar um saltinho ao outback ou às florestas. Basicamente, um carro de lazer, não de trabalho.

Claro que tem alguns problemas, porque eu sou um tanso com carros e a dama também nada percebe disso, nomeadamente na caixa de velocidades, mas temos garantia e estão em vias de se resolver! Fica a foto, quando arranjar um chapéu com a bandeira sulista e um cornos para pôr no capô depois tiro outra....

A pequena loucura da compra do Jackaroo (o nome é fixe, tinha de repeti-lo) também foi influenciada pelo grande concerto de Maiden que vimos na Quinta anterior. Vimos Maiden das bancadas, num pavilhão com metade do tamanho do Atlântico, e com um público menos efusivo do que o português, mas foi um concerto incrível na mesma.

O que teve de especial foi a relação entre a banda e o público. Como falavam a mesma língua, o Bruce Dickinson fartou-se de cuspir sarcasmo inglês a noite toda, e o público respondia na mesma moeda, porque percebia, de forma que senti outro tipo de proximidade da banda, que não senti em Portugal. E viu-se que a maioria do pessoal tinha uma percepção do kitsch associado à banda, especialmente quando o Eddie entrava em palco - estavam mesmo a perceber a piada, em toda a sua dimensão, e os Maiden acabaram com o "Always look at the bright side of life" dos Monty Python...!

Pena que depois, no mega festival de Domingo, o Soundwave, os Maiden tenham tocado exactamente o mesmo alinhamento, o que só prova o profissionalismo deles, mas nos faz sentir menos especiais...

O Soundwave foi impressionante a vários níveis... Primeiro, porque a organização foi impressionantemente estúpida porque teve um festival com umas 60 bandas todas num dia, a começar às 11 da manhã, em pleno Verão de Sydney, e a acabar às 10 da noite. Resultado: calor infernal durante a maior parte do festival, e ao anoitecer parecia que as bandas estavam a tocar para um viveiro gigante de lagostas...

Segundo, porque a organização foi impressionantemente esperta porque havia àgua à borla em todo o lado, nunca tive de fazer filas para cerveja ( e eles bebem mais que nós em festivais ) ou comida e havia espaço para tudo e todos - como? Cada pessoa tinha de arranjar uma pulseira para poder comprar alcóol ( a provar que era maior), e depois só podia comprar duas cervejas de cada vez, não vendiam cerveja de pressão e havia grades a delimitar as filas e muitas barracas. Resultado: as pessoas eram rápidas a pedir porque só estavam a pedir para elas, eles eram rápidos a servir porque era só preciso abrir a lata ou garrafa e toda a gente sabia onde estava na fila. Pragmatismo anglo-saxónico a funcionar à grande! E nunca vi ninguém a atirar uma lata ou garrafa (podia-se entrar com garrafas fechadas...)...!

Terceiro, porque vi os Monster Magnet, que pensava que nunca mais ia ver desde que foram obrigados a sair do palco no T99, os Primus, que pensava que tinham acabado, o Slash, que deu um concerto fabuloso cheio de clássicos sob um calor insuportável, os 30 Seconds to Mars, que são uma merda mas dão um bom show, os Mad Caddies, um concerto do CAR$%&O de Queens of The Stone Age e acabei no meio do público a cantar Running Free no adeus dos Maiden!

Portanto, um bom festival, sim senhor, com um público muito fixe, se bem que menos enérgico do que o tuga e um grande ambiente. Ah, e muitas daisy dukes e tops de bikini :)...

A seguir a um fim de semana bem passado, mudámo-nos para a casa na Segunda. O dia correu bem, a montar os primeiros móveis, e a fazer as primeiras compras de víveres, mas a noite foi de Baratofobia...

Quando chegámos a casa às dez da noite, tínhamos deixado as janelas abertas e tínhamos baratas por todo o lado - iniciou-se uma longa hora de caça à barata, em que devemos ter morto umas 12 - mas isto não são as baratinhas portuguesas, isto são baratas como deve de ser - cada uma precisa de um bom copo de shot de insecticida para morrer, senão só fica um pouco embriagada - é a chamada barata americana, a mais resistente e maior de todas elas. A Vânia portou-se como uma verdadeira mulher do outback e ajudou no serial killing, e no fim da noite emergimos vitoriosos no campo de batalha, rodeados de cadáveres que logo de seguida despejamos no lixo.

Na Terça, selamos os sítios por onde as baratas podiam entrar com duct tape, fechamos as janelas e esperamos pela noite, frasco de insecticida em mão. Matámos mais seis, que tinham sobrado do dia anterior. Desde Terça, mais nenhuma barata ousou invadir a nossa toca, e foi assim que os humanos voltaram a mostrar quem manda...

Na Quarta, fiquei a saber, depois de falar com o francês que conheço cá, que é bem normal haver baratedo no dómus. Mas graças à duct tape e ao extremo nível de limpeza do apartamento, acho que elas perceberam a mensagem...

O resto da semana foi passada a limpar (o dono anterior da casa era, para dizer o mínimo, um porco, suíno, uma ratazana comedora de excremento, uma espécie de ser humano que vivia na sujidade e na sarjeta, um morto vivo sem sentido de limpeza ou olfacto) e a montar mobília, com uns saltos à praia e ao pub local pelo meio, mas sem nada de especial a apontar.

A casa está quase toda pronta, e amanhã começámos as aulinhas... Mais notícias em breve.... Hoje escrevi isto a ouvir AC/DC. Comecei pela feiticeira dos trovante, mas meteu um bocado de nojo, por isso ainda não estou com muitas saudades de casa...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Let us burn one, from end to end. And pass is over to me my friend.

A Biatch pode ficar descansada que irá ser queimada uma em sua homenagem!
Paul Hogan e Linda Kozlowsky a caminho de Amesterdão para o Carnaval.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Querido, onde meteste as fichas?

Dude, ficaste com as chips?

Estava a combinar com o Hacienda aka Paul hogan aka el hacienda aka Fazenda aka pitanheiro, uma jogatana de poker, quando me lembrei se não serias tu que terias as fichas, is tru?????????????????
Se sim, onde deixas-te? na crib? peço ao Giant Midget para passar lá (casa dos teus pais aos quais vais ordenar para irem lá apanhar as ditas cujas)? aproveitamos e usamos a tua crib para a poker night, prometo que deixo a casa toda desarrumada e suja...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Querido, mudei de casa...?

Desde já, não consigo comentar os posts do pessoal, o que é chato. Mas o rui fez grande captura dos meus momentos à porta do Lidl (aqui é Aldi, Lidl é muito difícil de pronunciar para um anglo-saxónico), o nome do aborígene era sexta-feira... E um schooner, para responder ao César, são 0,4L. E a cerveja nem sempre é a 4 euros o schooner - a altas horas da noite, em pubs mais trendy, pode chegar aos 6 euros o schooner...

Já lá vai mais de uma semana desde o último post. Os últimos dias têm sido uma saga... Mais uma saga de banalidades suburbanas, mas uma saga na mesma.

A semana passada foi toda ocupada à procura de casa. Vimos todo o tipo de possíveis cribs: apartamentos de tamanho principesco completamente cobertos de carpetes nauseabundas, com tectos com mais cimento do que tinta, apartamentos com cozinhas tão peganhentas como a minha em Los Angeles, quando vivia com o Chaith e ele deixava bocados de caril em todos os electrodomésticos e portas de armários da cozinha, apartamentos com excelente aspecto mas que ficavam a pelo menos uma hora dos locais onde vamos estudar, com duas ou 3 mudanças de transportes, apartamentos em que fizemos fila atrás de umas 20 pessoas, todas oriundas da ásia, para ver o local nos 15 minutos que estava disponível para inspecção, apartamentos em que se notava o desespero dos agentes para os venderem, apartamentos excelentes, mas que ficavam mesmo em cima da linha de comboio...

E, finalmente, encontramos um apartamento, um dómus, um ninho! Não é perfeito, mas tem chão de madeira de carvalho, 2 quartos razoavelmente espaçosos, uma sala aceitável, uma cozinha solarenga e um pequeno pátio onde dá para beber umas stubbies (calão australiano para bejeca de garrafa) e ver a vida passar...

Decidimos pelo apartamento na passada sexta, assinámos o contrato segunda e passamos logo à caça da mobília. Desde Domingo até ao fim do dia de hoje, compramos a mobília toda, os tachos e apetrechos e acessórios e electrodomésticos todos.

Bastaram umas 10 horas no IKEA, 4 horas no KMART, 2 horas numa loja local de electrodomésticos, e ficou feito! Somos só dois.... Os gajos do querido mudei a casa são uma fraude...

Claro que agora falta montar a tralha toda, e com os meus dotes de Bricolage, isso deve demorar apenas alguns meses... Mas irá sendo feito, e agora viramos a nossa atenção para o veículo. Já nos sugeriram um toyota igual ao do Rui e da Vânia, de 1992, por mil dólares, mas temos um orçamento um pouco maior, por isso vamos investir em algo que ainda ande quando acabarmos o primeiro semestre de mestrado...

No meio de todo este movimento de jovem casal a construir nova caverna, ainda houve tempo para um bom fim de semana de copos. Sexta fomos ao aniversário da nossa amiga australiana, num restaurante espanhol de tapas - vimos pessoal da américa do sul a dançar sevilhanas e deu para encher a cara com sangria à descrição (muito boa aliás), depois fomos destilar litros e litros de suor para o pátio dessa amiga e substituí-los com cerveja em vias de estar morna (estavam uns 33 graus às 3 da manhã, com humidade)...

O que é especialmente divertido em sair com os aussies é todos eles apanham grandes cadelas, sem excepção, à boa maneira anglo-saxónica, por isso é possível já estar bem bebido e ainda sentir-me sóbrio ao pé deles :) E estes, pelo menos, eram bem menos limitados a nível de conversa do que os americanos! Bom povo, até agora...! Até houve quem batesse palmas de entusiasmo quando pus Michael Bolton, e isto é pessoal do rock e do metal...!

Sábado foi vez de convívio tuga. A tia do Rui convidou-nos para um jantar com mais dois casais portugueses, portanto deu para beber vinho, practicar a língua de Camões, sentir aquela hospitalidade e familiaridade portuguesa, comer queijadas, aprender onde comprar bacalhau e enchidos (pastéis de nata, a que eles chamam portuguese tarts, há em todo o lado, mas as outras coisas são mais difíceis de encontrar) e, obviamente, cascar um bocado na terra-mãe... Ficamos a conhecer mais da cidade e da comunidade portuguesa...

No meio de tudo isto, já visitamos a nossa pequena gata, que está sã e salva e que agora é oficialmente não só uma das gatas mais viajadas de Portugal, como também está de certeza entre os 5% de seres vivos que mais viajaram em Portugal....! Está a lidar bem com a quarentena e amanhã logo a visitaremos de novo.

Por agora é tudo - mais banalidades da próxima... Iron Maiden sexta feira e mega festival de metal domingo! Ah, estive a ouvir xutos ao escrever isto. Parecem melhores quando se está longe de Portugal....

E peço desculpa pelo título do post. É embaraçosamente foleiro.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

biatchdownunder: Casas, Copos, Cinema e Culturas...

Carpetes em países quentes faz tanto sentido como um terceiro testículo.
Essa fez-me lembrar uma história quando era puto e que estudava na Ajuda com pessoal das barracas e betos do Restelo. Certo dia um dos chungas gabou-se de ter não só alcatifa no chão mas tb a forrar as paredes. Classe!
É o problema da percepção de luxo, carpete para certas pessoas é luxuoso e logo um plus. Digam logo que querem a versão sem luxos (carpete)!!

4 euros a pint dá mais ou menos 2 euros a imperial, não tá assim tão mal! Abraço!

Casas, Copos, Cinema e Culturas...

Primeiro dia à procura de casa a sério. No Sábado já fomos ver uma com um agente imobiliário português conhecido da tia do Rui, e não era má de todo, mas não podíamos ficar com a primeira, podia haver melhor e há de certeza tanto pior para ver :)

Hoje mandamos dezenas de mails, fizemos dezenas de telefonemas, e acabamos por só ver uma casa - condomínio com piscina, mas algo diferente da de cascais... Bem mais pequena, piscina mais parecia uma garagem de tanta tralha que tinha amontoada nas bermas, com algumas baratas furtivas na cozinha e tapetes bem gastos nos quartos. Os Australianos tiveram, como os americanos, uma obsessão por carpetes durante várias décadas, de maneira que a maioria dos apartamentos usados ainda têm carpete.

Povos tão pragmáticos podiam até nem se aperceber da foleireza das carpetes, mas podiam pelo menos aperceber-se de que são muito propensas à javardice, especialmente em apartamentos habitados por estudantes anglo-saxónicos, daqueles que só limpam seja o que for quando começam a surgir ninhos de larvas nesses locais...

O apartamento de hoje cheirava mal e tinha mau aspecto essencialmente devido às carpetes - o nosso estudiozinho alugado, por mais "bom ar" de lavanda que espalhemos pelo ar, continua a ter um cheiro, como que subconsciente, subtil, a caril putrefacto... As carpetes são má ideia, ponto final.

Amanhã espera-se um dia mais movimentado, com mais casas para ver, provavelmente a maioria más, mas algumas boas, se tudo correr bem...

O fim de semana já envolveu umas saiditas interessantes e uns quantos schooners de cerveja australiana (nada de Fosters, claro, só cerveja de jeito - aliás, nem creio alguma vez ter visto fosters por aqui). O schooner é uma medida muito semelhante à Pint, que eles têm em vez da Pint - quem pedir uma Pint arrisca-se por isso a ser confundido com um bife ou com um americano parvo, como foi o meu caso...

Os Pubs, ou Hotels, como os chamam aqui, são ainda mais abundantes do que pensava, e em certas zonas há um em cada esquina :) A King´s Street em Newtown deve ter calmamente uns 3 kilometros de Hotels e restaurantes, tudo a direito, para ninguém se perder... A vida noturna dura até bem mais tarde do que tinha ficado com a ideia da última vez, com alguns bares a fecharem só às 4, 5 horas - e os australianos, apesar de gostarem de carpetes, continuam a ser um povo muito bem disposto e animado, sempre pronto a beber mais uma, por mais tortos que já estejam - a nossa noite de Sábado começou às 19:00, com o pessoal já jantado, por isso à meia noite já há muita gente a encadelada...

Sexta temos um jantar de aniversário a começar às 18:00, num restaurante espanhol... He... É mais lanche de aniversário... Seja como for, mais uma vez a Austrália reune o melhor de dois mundos - se quiser começar nos copos cedo, é só ir para lá directo do trabalho e está tudo animado, depois sigo para casa cedo. Se quiser ficar até tarde, também encontro sempre um buraco para me acolher... Gosto disso. Muito.

A única coisa que não gosto é o preço do alcool - a 4 euros o schooner, o dinheiro voa...

O cinema também é o dobro do preço, mesmo com desconto de estudante... Ontem vimos o Kings Speech, que é muito bom, mas o mais interessante foi mesmo reparar que os cinemas mainstream, tipo lusomundo, passam vários filmes chineses e indianos, falados nas respectivas línguas e sem legendas, nas salas principais... É que a quantidade de asiáticos aqui é tanta que às vezes parece mesmo que não estamos num país ocidental...

Isso dá azo a situações engraçadas: hoje estávamos a comer num tailandês, de pauzinhos na mão e estava um coreano australiano, a comer de faca e garfo a falar com uma tailandesa em inglês sobre a família que ela tinha nos estados unidos e que ele tinha no canadá... Do outro lado da rua, estava um café italiano ao lado de um supermercado vietnamita, seguido do consultório de um médico grego... Mais ainda do que em Los Angeles, aqui tenho muito a sensação do novo mundo...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

First Bloog

Depois de dois dias completamente caóticos, um bocadinho de tempo para escrever no blogue. Às 8 e 10 da manhã, porque isto do jetlag dá um pica matinal como nunca...

A viajem correu sem stresses, fora 22 horas numa cadeira que não reclinava com um sistema de entretenimento que não funcionava, ou se calhar não gostava da actuação do Stalonne no Expendables ou do Daniel Radcliffe no Harry Potter ( um pouco boiola, eu sei, mas gosto dos harry potters).

A chegada foi sem stresses também, mas esqueci-me da carta, por isso a Vânia serviu, e muito bem, de chauffeur nestes primeiros dias. Conduz pela direita na perfeição.

O tempo está fabuloso, t-shirt dia e noite, xanata e calção, nada de cheias, essas estão a 2000 km a norte. Já há conta no banco, telemóvel, passe de comboio e pen para navegar na net - ainda falta uma data de tralha, especialemente um crib, mas hoje terá de haver tempo para a primeira pint de VB :)

O apartamento temporário está centralíssimo, mas também é cinzentíssimo. Está debaixo de um viaduto, rodeado de arranha-céus, e o único céu que se vê é o que está reflectido no vidro do prédios circundantes. Quando a janela da varanda está fechada cheira um bocado a caril (lembrou-me os meus tempos no apartmento de LA), quando está aberta cheira a gasolina. Os vizinhos do lado ontem cozinharam um bife e vieram comè-lo para a varanda, para temperar com dióxido de carbono - veio-nos um cheirinho a "bife a la petrol"...

Os aussies, ou ozzies, continuam simpáticos, chineleiros e muito descontraídos, mas até agora temos tido mais contacto com brasileiros e tugas. Ontem estivemos no Aldi, que é Lidl daqui, e parecia que estava lá a Madeira em peso...! a 21000 km da Madeira...

Hoje vamos apresentar-nos na escolinha... Mais notícias, ou pelo menos uma divagação, em breve...

Ah, e adoro isto. Adoro mesmo. Ontem ao voltar ao apartamento estavam morcegos raposa a discutir numa àrvore, mesmo no centro da cidade, ao pé do viaduto... Morcegos do tamanho de cães... Muito fixe...

Austrália muito "Infectada" pelas cheias!

http://www.facebook.com/video/video.php?v=10150101721193421

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011